Você confia em seu assistente virtual?

Quando pensamos em Inteligência Artificial (IA), certamente já achamos que boa parte dos postos de trabalhos serão substituídos pela automação. No entanto, apesar da IA realmente caminhar em direção às mudanças no cenário mundial de trabalho, esse pode não ser o maior impacto que a mesma terá em nossas vidas. A Inteligência Artificial irá aprimorar nossas vidas pessoais. Em um futuro próximo, graças a todo o progresso da IA, poderemos automatizar inúmeras tarefas mundanas, e nos concentrar em tudo que nos torna realmente humanos: nossos interesses, paixões e conexões com os outros e tudo a nossa volta.

Assistentes digitais como Alexa, Siri e Assistente do Google são plataformas de conversação que estão se tornando mais comuns. Entretanto, plataformas controladas por voz podem estar em um processo de mudança, e indo diretamente para dentro da sua cabeça. Ao invés desses dispositivos funcionando no atual modelo, de auto-falantes, seu assistente digital pode funcionar através de fones de ouvido sem fio (wireless) que também são microfonados para captar suas instruções em qualquer momento. Na verdade, os assistentes de IA do futuro, como o sistema “Silent Speech” da NASA (que interpreta as atividades nervosas com sensores na pele do pescoço e da garganta) podem nem exigir que você diga uma palavra sequer.

Os agentes de IA estão se desenvolvendo até mesmo dentro dos nossos serviços e dispositivos. Na próxima década, seu assistente digital pode organizar para pagar sua novas compras e contas, administrar entregas, e organizar tudo aquilo que você não gostaria de fazer. Isso será possível porque qualquer coisa que você compra terá como parte da interface um IA que permita com que seu assistente interaja com o aplicativo. Alguns futuristas, como Nova Spivack, Co-Fundador e CEO da Bottlenose, acreditam que dispositivos portáteis, como o Google Glass, acabam permitindo que você veja e “fale” com qualquer coisa – até com produtos nas prateleiras das lojas.

A Inteligência Artificial vai nos tornar mais inteligentes e nos ajudar a aprimorar nosso potencial criativo. A criatividade computacional é o ramo da IA que produz algoritmos capazes de pintar, compor, escrever, e, de outra forma, imitar a criatividade humana e imaginação. O compositor David Cope, que também é cientista e professor de música na Universidade da Califórnia, colabora com Emily Howel, um programa de Inteligência Artificial: “É um conversador, amigo e compositor”, disse ele ao The Atlantic, descrevendo como eles trocam idéias e críticas. O escritor de comédia da ClickHole, Jamie Brew, trabalha com uma interface de texto preditiva que ele desenvolveu para criar envios de debates presidenciais e anúncios falsos para classificados.

A próxima etapa já está em andamento: IA Emocional, ou inteligência emocional artificial. A habilidade de entender as emoções dos usuários em suas vozes, linguagem corporal e contexto estão sendo criadas para sistemas de inteligência artificial, que é o principal para fomentar confiança e afeto real. Rana el Kaliouby, Co-Fundador e CEO da Affectiva, descreve o próximo passo como um chip emocional nos dispositivos inteligentes, e que reagem em tempo real.

Seria a fronteira final? É fácil para os humanos formarem laços emocionais, mesmo que com simples robôs. Quando nossos dispositivos de IA falam e interagem como humanos, tendemos a criar laços ainda mais fortes. Spivack acredita que pessoas vão se associar com dispositivos virtuais para a vida, desde um brinquedo inteligente ou de um professor, até um assistente digital sofisticado ou um companheiro.

 

Questões éticas do IA emocional

Se tivermos dispositivos IA que possam entender os humanos e suas motivações como companheiros para a vida toda, isso deve levantar algumas questões. Spivach pergunta: “Quem é dono desses dispositivos? Eles são de propriedade do Google?”. O que aconteceria se nós os perdêssemos, se eles fossem tirados da gente ou reprogramados? Haveria algum recurso para nós, ou para eles? Se nós os confiassemos nossos segredos mais obscuros, a lei poderia os forçar a revelar esses segredos perante a um juíz?

El Kaliouby colocou algumas questões sobre autonomia: Um assistente de IA pode agir em nome de um ser humano? Se sim, eles podem fazer isso sem nosso conhecimento? Se você pedir para seu IA cometer um crime, ele pode recusar? Se não puder, você é o responsável por isso? Podem você e seu IA terem um acordo de médico-paciente ou advogado-cliente respeitando leis de privacidade?

Enquanto algumas pessoas temem o avanço da inteligência artificial, Subbarao Kambhampati, Presidente da Associação para o Avanço da Inteligência Artificial, vê o “hacking” malicioso como um risco muito mais sério. Isso nos leva a uma outra pergunta: se o seu IA tomar ações que você não tolera ou faz algo ilegal depois de ser “hackeado”, você ainda é o responsável? O ônus de provar sua inocência é de sua responsabilidade? Nós, como sociedade, temos muitos aspectos para considerar antes de formar laços profundos com assistentes de inteligência artificial.
Originalmente publicado em: Futurism