Cientistas conseguem hackear o DNA das células

Hackers são especialistas em programação e mestres em rearranjar sistemas e fazê-los operar de acordo com a sua vontade. E se fosse possível hackear nossas células, através da biotecnologia, para que elas passassem a obedecer comandos específicos? Seria algo útil para a saúde? Pois bem, essa realidade já encontra-se entre nós.

Nosso corpo pode ser considerado um super computador, com bilhões de células agindo em conjunto para dar suporte à vida. Apesar de ser um sistema muito complexo e extremamente diferente dos circuitos rígidos de um computador, as células são unidades pré-programadas para exercer logicamente uma função. Como por exemplo as células beta do fígado, que conseguem identificar quando a glicemia do sangue está elevada, liberando insulina.

O que os cientistas Khalil e Collins da Boston University conseguiram fazer foi hackear o sistema operacional de uma célula – seu DNA – e modificá-lo com biocircuitos sintéticos, o que lhes permitiu fazer com que a célula obedecesse a mais de 100 conjuntos de operações. Toda a pesquisa foi publicada na conceituada Nature Biotechnology.

A pesquisa foi conduzida em células humanas, construindo circuitos baseados na lógica computacional. Um dos circuitos mais simples que se pode criar é aquele usado para acender uma lâmpada, e foi esse o primeiro circuito que foi recriado nas células: primeiro, foi inserido um gene que leva à produção de uma proteína que brilha à luz UV, depois um gene de parada, que determina a cessão da produção dessa mesma proteína. Por último, foi inserido um “gatilho”, um gene que, na presença de uma droga, inativa o gene de parada, fazendo a célula, literalmente, acender.

Fazer uma célula brilhar pode não parecer um grande avanço, mas abre caminho para se construir células que brilham quando detectado um biomarcador de cânceres, HIV ou outras doenças. Mas não contentes com um circuito simples, os cientistas criaram ouros 113 circuitos em células hepáticas e imunes, com um impressionante sucesso de 96%.

É a primeira vez que um ser humano consegue efetivamente se sobrepor à Natureza, como programadora única da vida. Boa parte da motivação por trás da biotecnologia vem da ideia de que se você entende algo, você é capaz de construí-lo. Com o maior entendimento do mecanismo de programação das células e como alterá-lo, será possível uma nova leva de pesquisas sobre cura de doenças. O único limite será a imaginação dos pesquisadores e o número de problemas da sociedade que a biologia sintética é capaz de resolver, disse Khalil e Collins.

Original em: Singularity Hub