Vamos falar sobre a diferença entre Design Thinking e Design Sprints.

Acredito que essa seja a dúvida mais comum que encontro. Ela sempre aparece, sempre que proponho um dos dois processos para algum cliente.

Um aviso: Se você estiver com fome, evite ler esse artigo. Você vai entender porquê.

Eu entendo, os nomes das metodologias são parecidos, ambas foram criadas por empresas líderes em inovação (Design Thinking pela IDEO e Design Sprints pelo Google) e amplamente utilizadas ao redor do mundo para criar ou otimizar produtos, estratégias e processos com foco no usuário. Mas afinal: qual é a diferença entre as duas? A analogia que vou usar agora para explicar esses dois conceitos é a mais interessante e efetiva que já encontrei. Preparados?

Feche seus olhos… e se imagine de frente para uma bancada com diversos ingredientes, facas e utensílios. Isso mesmo, nós vamos cozinhar!

Digamos que você está prestes a fazer uma aula de culinária, para aprender a cozinhar… mas não somente cozinhar o básico, você quer aprender os melhores pratos, os mais  complexos, enfim, as coisas realmente boas. Vamos utilizar cozinhar como uma analogia para a criação de um produto, estratégia ou processo.  

Nesse aspecto, o Design Thinking é a sua aula introdutória de culinária! Nela, você vai aprender as habilidades básicas que você precisa para cozinhar, por exemplo: como preparar uma massa de macarrão, como cortar cebolas, como manusear uma faca corretamente. Todos os elementos essenciais que você precisa para cozinhar uma refeição, você aprende no Design Thinking. 

O Design Thinking é a filosofia, a mentalidade, o kit de ferramentas.

O Design Thinking é a filosofia, a mentalidade, o kit de ferramentas. Com ele você aprende diversos exercícios diferentes, várias ferramentas diferentes. Mas, como você utiliza tudo isso, depende de você.

Agora, que imagine que você e seu time foram convidados para preparar um jantar para sua empresa. Vocês deverão servir uma lasanha trufada. Digamos que existem 5 na sua equipe, na cozinha. Todos vocês sabem as técnicas de como cozinhar a massa, fazer um molho, cortar ervas. Mas, existe uma coisa faltando… vocês não têm uma receita!

Logicamente, o que acontece na sequência é que boa parte do tempo que vocês têm para executar esse projeto é desperdiçado pelo simples fato de não se ter a receita. No começo vocês não sabem realmente quem deve fazer o quê. Todos começam fazendo tudo no seu próprio ritmo. Ninguém faz ideia de como o ÓTIMO deve ser ou como o resultado final deve ser. Então, é nesse momento que o Design Sprint entra. 

O Design Sprint é, simplesmente, uma receita!

O Design Sprint é, simplesmente, uma receita! Ele diz como você deve fazer determinado projeto, planejar certo produto ou bolar uma estratégia. Tudo isso baseado num determinado set de ferramentas, ou, se preferir, em determinados ingredientes! É um guia passo a passo de como executar sua lasanha trufada. Além disso, ele também fornece uma lista clara de quem faz o quê. É basicamente um grande organizador do trabalho. 

Então, se você está aprendendo a cozinhar, vai precisar das ferramentas e das habilidades do Design Thinking, mas também vai precisar de uma receita, de um guia passo a passo. Isso é o Design Sprint. Ele é uma receita que utiliza a mentalidade e os aprendizados do Design Thinking e depois os aplica a um processo bem estabelecido, desenhado passo a passo para atingir o resultado ideal, seja ele um novo produto, processo ou estratégia. 

Nesse momento você deve estar se perguntando: se você aprendesse apenas o Design Thinking, eventualmente, você conseguiria executar o projeto? E a resposta é sim! Você conseguirá montar uma persona, você conseguirá fazer muitos dos exercícios individuais, mas você não teria uma receita, um guia passo a passo claro e exato.

Nesse aspecto, caso alguém te passasse a missão de validar um produto, por exemplo. Primeiramente, você teria que descobrir quais peças juntar para fazer seu próprio processo. Se você é um especialista em Design Thinking extremamente habilidoso, claro, você sabe como fazer isso. Mas a maioria das pessoas, na maioria das empresas, não são especialistas e precisarão seguir um modelo. De preferência, esse modelo de trabalho deverá ser robusto e amplamente testado e comprovado, realmente a prova de balas. Isso foi o que o Google desenvolveu com seu Design Sprint.  

Para resumir, o Design Sprint é uma receita, um guia passo a passo claro e também um conjunto de regras sobre quem deve fazer o quê.

Então, para resumir, o Design Sprint é uma receita. Além disso, é um guia passo a passo claro. E ainda, é também um conjunto de regras sobre quem deve fazer o quê. Ele permite que você e seu time se programem para trabalhar de forma dedicada, numa agenda pré-definida. Ao final, você sabe como o sucesso deve ser. Enquanto o Design Thinking é a mentalidade e a teoria por trás de tudo. 

Logo, essa é a grande chave das empresas que criam produtos realmente inovadores: serem capazes de aplicar as teorias do Design Thinking para compreender as necessidades do usuário, mas desenvolver e validar ideias e soluções de maneira rápida e eficiente, com o Design Sprint. As duas engrenagens funcionam juntas.

Agora, uma pergunta que as pessoas fazem o tempo todo: você poderia, por exemplo, validar um produto com o Design Sprint sem conhecer as teorias por trás do Design Thinking?

Bom, a resposta é sim! É como comprar um livro de receitas do Jamie Oliver. Você encontrará uma série de pratos super complexos… mas, tudo que você precisa fazer é confiar no método e seguir a receita passo a passo para executá-la. Talvez você não corte as cebolas perfeitamente (sim, eu me apeguei à analogia de comida), talvez você não cozinhe o macarrão no ponto perfeito. Mas, sim, vocês seriam capazes de produzir de maneira eficiente. Bastaria, apenas, uma receita e um guia de quem deve fazer o quê.

Design Thinking, sozinho, não é o suficiente.

Por outro lado, utilizando apenas o Design Thinking por si só, você realmente precisaria ser bastante proficiente com os diferentes exercícios e ferramentas. Na Innovster, somos claramente fãs do Design Thinking, mas ele, por si só, não é muito útil sem um caminho claro para solucionar todos os desafios encontrados pelos usuários, de maneira eficiente e validada.

Antigamente, antes de entrarmos em contato com o Design Sprint, muitos clientes nos procuravam para ajudarmos a criar estratégias, ou modernizar seus processos. A partir desse ponto, mergulhávamos nas ferramentas do Design Thinking, para encontrar a melhor receita para utilizar com um determinado projeto. E a cada novo projeto, a receita mudava.

Desde que começamos a implementar o Design Sprint, ele tem sido a melhor receita que temos testado continuamente por anos. Sabemos que é um excelente modelo para desenvolver ideias e soluções, chegar a novas estratégias e para testar conceitos extremamente rápido. De fato, todo o processo de Design Sprint 2.0, na Innovster, leva apenas 4 dias.

Processo rápido, fácil e eficaz.

Finalmente, muitas pessoas têm receios de iniciar um processo de Design Thinking, porque é “para criativos”, além de precisar envolver muitos stakeholders. Parece muito esforço quando, muitas vezes, tudo que precisam é apenas modernizar um processo ou adicionar um novo atributo a um produto. 

Já o Design Sprint é um processo mais “frio”, passo a passo, com um cronograma pré-definido. Então, quase qualquer pessoa em sua empresa se sentirá confortável em fazer parte do processo de Design Sprint, pois ele tem um ângulo mais estratégico e comercial.

O Design Thinking é realmente ótimo para se colocar tudo sobre a mesa e entender realmente a fundo as dores e necessidades dos usuários. Mas, quando se trata de executar e validar ideias e conceitos, para saber se o sucesso será, de fato, obtido, então o Design Sprint é realmente a resposta para essa pergunta.